Francielli Tiem
O xeque-mate de Ratinho Jr
A aposta em Sandro Alex para blindar o Iguaçu contra o avanço de Sérgio Moro
Sandro Alex - deputado Federal em 2015Há dias que parecem escritos sobmedida para crônicas hoje é um deles, e o cenário da vez é o Palácio Iguaçu.
Então vamos lá!
O Palácio Iguaçu nunca foi um lugar para amadores, mas o que se desenha nos bastidores da política paranaense para a sucessão estadual assemelha-se a uma partida de xadrez jogada sob a neblina de Curitiba. A escolha de Sandro Alex como o "herdeiro" ungido por Ratinho Jr. não é apenas um movimento administrativo; é uma declaração de guerra estratégica e, acima de tudo, um teste de fidelidade.
Ao optar por Sandro Alex, Ratinho Jr. escolhe o conforto da continuidade. Sandro não é apenas um secretário de Infraestrutura e Logística; ele é o rosto das obras, das estradas e da "transformação" que o governo atual ostenta como troféu. Para Ratinho, Sandro Alex é a garantia de que o legado não será questionado, mas ampliado. É o nome que conhece os prefeitos pelo primeiro nome e que percorreu o estado de ponta a ponta com o "caderno de encargos" debaixo do braço.
Do outro lado da mesa, surge a figura que assombra o sono de dez entre dez políticos tradicionais, Sérgio Moro.
O ex-juiz da Lava Jato, agora senador, carrega consigo o capital da "moralidade" e um recall eleitoral que desafia qualquer máquina pública.
A entrada de Moro na disputa transforma a eleição de um debate sobre "asfalto e gestão" em um plebiscito sobre "ética e política". Moro não precisa de uma secretaria para se tornar conhecido; ele precisa apenas do microfone e da memória do eleitor paranaense, que historicamente flerta com o lavajatismo.
O embate que se avizinha é um duelo de identidades:
Sandro Alex representa a política de resultados, o Paraná que produz, que constrói e que mantém a máquina girando. É o "político de carreira" em sua melhor forma: articulado, diplomático e leal ao grupo.
Sérgio Moro representa a política de ruptura. É o outsider (fora do eixo) que, embora já dentro do sistema, ainda vende a imagem de justiceiro. Sua candidatura é um desafio direto à hegemonia do grupo de Ratinho Jr.
No Paraná, a política não perdoa a traição, mas também não esquece o prestígio.
Ratinho Jr. joga alto. Ao lançar Sandro Alex contra um gigante como Moro, ele coloca à prova sua própria força como cabo eleitoral. Se Sandro vencer, Ratinho Jr se consolida como o "rei do Sul", capaz de eleger até um poste sob sol forte. Se perder, o projeto presidencial de Ratinho para o futuro pode sofrer uma fissura precoce.
O tabuleiro está montado. Sandro Alex tem a máquina e as "mãos sujas de graxa" das obras. Moro tem a toga pendurada no cabide e a voz que ressoa nos tribunais da opinião pública. No Paraná, a sucessão de 2026 já começou, e o prêmio é nada menos que a alma do estado.




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