Um mês após a morte de Vanessa Marty, advogado da família revela detalhes inéditos que desmontam versão apresentada pelo acusado

O advogado Ricardo Augusto Bantle afirma que laudos periciais, imagens de segurança e o comportamento do investigado após o disparo reforçam a tese de feminicídio e afastam definitivamente a hipótese de suicídio.


Um mês após a morte de Vanessa Marty, advogado da família revela detalhes inéditos que desmontam versão apresentada pelo acusado
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Exatamente um mês após a morte da escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty, o Portal 24h teve acesso, com exclusividade, a novos detalhes da investigação por meio do advogado Ricardo Augusto Bantle, que representa a família da vítima como assistente de acusação no processo.

Na entrevista, Bantle afirma que o conjunto de provas produzido durante o inquérito é contundente ao demonstrar que Vanessa não tirou a própria vida. Segundo ele, laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, depoimentos e a própria conduta do acusado após o disparo levaram a Polícia Civil a descartar definitivamente a hipótese de suicídio.

De acordo com o advogado, a sequência dos acontecimentos registrada pelas câmeras de monitoramento é um dos pontos mais importantes da investigação. Na noite de 24 de junho, Vanessa e o companheiro discutiram em um estabelecimento comercial e seguiram para casa. As imagens registram o casal entrando na residência e captam apenas a voz do acusado ofendendo a vítima. Em nenhum momento há registro de resposta ou reação por parte dela.

Poucos minutos depois, é registrado o disparo de arma de fogo. No entanto, segundo Ricardo Augusto Bantle, as imagens mostram que o acusado leva mais de três minutos para dizer que encontrou Vanessa ferida.

"Esse intervalo é incompatível com a versão apresentada. Acreditamos que foi justamente nesse período que houve a manipulação da cena do crime para tentar criar a aparência de um suicídio", afirmou.

Perícia encontrou diversas inconsistências

Segundo o assistente de acusação, ainda no atendimento da ocorrência policiais e equipes de emergência perceberam que a versão apresentada pelo acusado não era compatível com a situação encontrada.

A confirmação veio com os exames periciais.

Os laudos apontam que a posição da vítima, a trajetória do projétil, a localização da arma, a posição do estojo da munição e a distância do disparo não correspondiam às características de um suicídio.

"A perícia concluiu que o disparo foi realizado a mais de 50 centímetros da cabeça da vítima, por alguém que estava em pé e do lado de fora do veículo. A arma sequer estava encostada na cabeça, o que afasta completamente a versão inicial", explicou Bantle.

O advogado destaca ainda que, para que Vanessa conseguisse efetuar aquele disparo contra si mesma, seria necessário posicionar a arma atrás da nuca, sem qualquer visão da direção do cano, uma dinâmica considerada incompatível pelos especialistas.

Acusado admitiu alterar o local

Outro ponto considerado relevante pela acusação é que o próprio investigado admitiu ter modificado a cena do crime.

Segundo Ricardo Augusto Bantle, ele declarou em depoimento que retirou a arma do colo da vítima e a movimentou diversas vezes dentro do veículo.

Também foram localizadas manchas de sangue na edícula da residência e um copo descartável próximo à lixeira.

O acusado afirmou que se limpou após entrar em contato com o sangue da vítima e disse que utilizou o copo para colocar a arma.

"Se a vítima realmente estivesse segurando um copo no momento do disparo, essa circunstância, por si só, praticamente elimina a hipótese de suicídio", observou o advogado.

Ligações levantaram suspeitas

Outro aspecto que chamou a atenção da investigação foram as ligações telefônicas feitas antes do acionamento do socorro.

Conforme Ricardo Augusto Bantle, o acusado telefonou inicialmente para um amigo da família e para a irmã de Vanessa informando que ela estava morta dentro do quarto da residência.

Somente depois passou a relatar que ela estava no interior do veículo.

Em outra ligação, ao ser questionado sobre retirar a vítima do carro para prestar socorro, respondeu que não faria isso porque poderia ser incriminado.

Para o advogado, esse comportamento reforça a suspeita de que, antes de acionar as autoridades, o investigado já buscava construir uma narrativa para os acontecimentos.

Relatório descartou suicídio

Segundo Ricardo Augusto Bantle, todos esses elementos integram o relatório final da Polícia Civil, acompanhado dos laudos periciais e demais provas produzidas durante a investigação.

Além disso, familiares e amigos ouvidos durante o inquérito relataram que, embora o relacionamento fosse marcado por conflitos ao longo do tempo, Vanessa não apresentava qualquer comportamento que indicasse depressão, ideação suicida ou intenção de tirar a própria vida.

"O conjunto probatório é robusto. Não se trata de um único indício, mas de diversos elementos técnicos, científicos e testemunhais que convergem para a mesma conclusão: a hipótese de suicídio foi descartada e as evidências apontam para um feminicídio seguido de tentativa de alteração da cena do crime", concluiu Ricardo Augusto Bantle, advogado da família de Vanessa Marty e assistente de acusação, em entrevista exclusiva ao Portal 24h.


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