Francielli Tiem

O asfalto de Palotina e a rota para o Planalto

Ratinho Junior rumo a Brasília

AEN
O asfalto de Palotina e a rota para o Planalto Governador Ratinho Junior

A sexta-feira, 20 de março, não marcou apenas a entrega de 15 quilômetros de pavimentação na PR-975. Em Palotina, a entrega do contorno viário serviu de moldura para um anúncio que já não aceita mais o benefício da dúvida: Carlos Massa Ratinho Junior colocou, definitivamente, o pé na estrada rumo a Brasília.

Ao entregar uma obra que desvia o tráfego pesado do centro da cidade, o governador paranaense pareceu ensaiar seu próprio desvio — do âmbito estadual para a complexa malha da política nacional. Durante o discurso, o tom foi de "disponibilidade". Ratinho Junior afirmou que seu nome está sob o crivo do PSD e que a fumaça branca sobre a candidatura deve subir nos próximos dias.

A análise do discurso em Palotina revela a espinha dorsal de sua estratégia. Ao repetir a frase "Temos um time", o governador tenta transpor o sucesso administrativo do Paraná para uma lógica de gestão nacional. Ele não fala apenas de asfalto; fala de indicadores. Citou a infraestrutura, os avanços na educação e os selos de transparência como credenciais de um modelo que, em sua visão, é exportável.

De fato, os números do Estado são o seu maior cabo eleitoral. Ratinho conseguiu consolidar o Paraná como um "case" de eficiência que agrada tanto ao setor produtivo quanto ao eleitorado mais conservador. Ele se mostra firme, pragmático e, acima de tudo, um articulador que evita o ruído excessivo das polarizações extremas.

No entanto, a grande questão que paira sobre o Oeste paranaense e ecoa nos corredores do poder é: o bom gestor regional é, necessariamente, o candidato viável nacionalmente?

Sair de Curitiba para o Palácio do Planalto exige mais do que um portfólio de obras concluídas. Exige:

 * Capilaridade: Romper a bolha do Sul e Sudeste para dialogar com o Nordeste e o Norte.

 * Narrativa: Sustentar um palanque que suporte a pressão de uma campanha presidencial, onde a vidraça é infinitamente maior.

 * O "Pulo" Partidário: O PSD de Gilberto Kassab é conhecido pela sua habilidade de estar em todos os centros de gravidade. Resta saber se o partido apostará todas as fichas em um nome próprio ou se usará o capital político do Paraná como moeda de troca em alianças maiores.

Se a política, assim como o jornalismo, é feita de "rabiscos" que se transformam em história, o dia 20 de março será lembrado como o momento em que o Paraná parou de olhar apenas para as suas divisas. Ratinho Junior está à disposição. O "time" está escalado. Mas, no tabuleiro de 2026, a estrada é longa, o terreno é acidentado e, por vezes, não há contorno viário que desvie dos obstáculos políticos que virão pela frente.


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