Projeto da Unioeste transforma vidas ao ensinar português para imigrantes em Toledo

Iniciativa gratuita já formou quase 400 alunos e fortalece a inclusão social, o acesso ao trabalho e aos serviços públicos


Projeto da Unioeste transforma vidas ao ensinar português para imigrantes em Toledo
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Aprender uma nova língua pode ser o primeiro passo para recomeçar a vida. Em Toledo, no Oeste do Paraná, um projeto de extensão da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) tem ajudado centenas de imigrantes a superar barreiras linguísticas e conquistar autonomia no dia a dia.

Desenvolvido pelo Centro de Línguas de Toledo (Celto), em parceria com a Prefeitura de Toledo e, mais recentemente, com o Instituto MBRF, o projeto oferece cursos gratuitos de português voltados à população imigrante residente na cidade e na região. Além do ensino do idioma, a iniciativa promove acolhimento, inclusão social e integração cultural.

Desde 2021, quase 400 estudantes já passaram pelas salas de aula do projeto. Atualmente, cerca de 60 alunos participam das atividades, que recebem pessoas de diferentes nacionalidades em busca de melhores oportunidades de estudo, trabalho e qualidade de vida no Brasil.

Entre os participantes está o boliviano Giovanni Franz Calizaya Jimenez, de 30 anos, que mora em Toledo há um ano e faz pós-graduação em Engenharia Química na Unioeste. Segundo ele, aprender português foi fundamental para enfrentar os desafios da rotina.

"Fiquei muito alegre e aliviado, porque o idioma é muito importante para o dia a dia e a gente precisa se comunicar com as pessoas daqui", afirma.

Outro aluno é o italiano Lorenzo Scremin, de 58 anos, que conheceu o projeto pelas redes sociais. Para ele, as aulas têm sido importantes principalmente para aperfeiçoar a escrita e ampliar o domínio da língua portuguesa.

"Saber se comunicar corretamente na língua do país que nos acolhe é fundamental para a integração, para o trabalho e para uma vida mais tranquila e independente", destaca.

O haitiano Exode Exil, de 24 anos, também encontrou no projeto uma oportunidade de construir um novo futuro. O incentivo veio das próprias irmãs, que participaram das aulas e conquistaram o certificado de proficiência em português.

Estou aprendendo muito e é maravilhoso adquirir novos conhecimentos. Este projeto nos ajuda a nos integrar à comunidade, porque o idioma pode ser uma grande barreira para quem chega ao Brasil", relata.

A coordenadora do projeto, professora Sandra Mara Pereira D'Arisbo, ressalta que o ensino da língua vai muito além da gramática.

"Mais do que aprender português, os imigrantes conseguem se inserir na sociedade, realizar tarefas do cotidiano e exercer sua cidadania com mais autonomia", explica.

Além das aulas de português, o projeto também oferece cursos de espanhol e crioulo haitiano destinados a servidores públicos e profissionais que atendem a população imigrante. O objetivo é melhorar a comunicação em áreas como saúde, educação e assistência social.

Segundo a coordenadora, dificuldades de compreensão podem gerar situações que comprometem o atendimento. Ela cita como exemplo gestantes estrangeiras que confundem a palavra "pré-natal" com "Natal", entendendo de forma equivocada as orientações médicas, o que evidencia a importância de uma comunicação clara e adaptada à realidade dos imigrantes.

A iniciativa continuará sendo ampliada. Em agosto serão abertas as inscrições para quatro novas turmas de português — duas em parceria com a Prefeitura de Toledo e duas com o Instituto MBRF — além de uma nova turma de crioulo haitiano. As aulas estão previstas para começar no dia 5 de setembro, reforçando o compromisso da universidade com a inclusão, a diversidade e o fortalecimento da cidadania.

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