Cascavel reduz mortes violentas em 21% no semestre
Estatística feita pelo Portal 24h aponta recuo na violência letal na comparação com os primeiros seis meses do ano passado. Ocorrências se espalham por 13 bairros e mobilizam investigações.
Cascavel encerrou o primeiro semestre com uma redução no número de mortes violentas em comparação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho foram registrados 19 crimes violentos letais, contra 24 ocorrências no primeiro semestre do ano passado, o que representa uma queda de aproximadamente 21%. O levantamento reúne homicídios, feminicídios, latrocínios, que é o roubo seguido de morte, e uma morte em confronto policial.
Os números mostram uma redução da violência letal no município, tendência que já vinha sendo observada ao longo do ano passado. Dados divulgados anteriormente pela Secretaria de Segurança Pública apontavam que Cascavel foi uma das cidades paranaenses que mais reduziram os homicídios no início do ano passado. Apesar da diminuição nas estatísticas, o semestre ficou marcado por crimes de extrema violência, execuções, assassinatos dentro do ambiente familiar e quatro feminicídios, que mobilizaram a Delegacia de Homicídios e causaram grande repercussão na cidade.
Início de ano com agressão e mortes de mulheres
O primeiro homicídio do ano teve como vítima Daniel Santana, de 37 anos. O homem foi encontrado morto após sofrer violentas agressões. Pela brutalidade do crime, o caso chamou a atenção logo nos primeiros dias do ano e passou a ser tratado como um dos assassinatos mais cruéis do semestre.
O segundo mês do ano foi marcado por três mortes de grande repercussão. No bairro Morumbi, Ana Rosa Pereira da Silva, de 32 anos, foi assassinada a tiros, tornando-se a primeira vítima de feminicídio do ano em Cascavel. Poucos dias depois, Mayara Araújo Krupiniski Rodrigues, de 30 anos, foi morta com golpes de faca no bairro Riviera. O crime reforçou o alerta sobre a violência contra a mulher no município. Ainda em fevereiro foi registrado o primeiro latrocínio do ano. Licindo Angelo de Andrade, de 62 anos, foi encontrado morto em um barracão na região do Alto São Salvador. A investigação concluiu que o crime ocorreu durante um roubo.
Março concentra maior volume de crimes graves
O mês de março foi o mais violento do semestre. O caso que mais chocou a população ocorreu no bairro Neva, onde pai e filho, de 81 e 51 anos, foram executados a tiros dentro da residência onde moravam. O duplo homicídio mobilizou uma força-tarefa da Delegacia de Homicídios.
No bairro Universitário, Clereni Maria Menegassi, de 68 anos, foi encontrada morta dentro de casa. As investigações confirmaram que ela foi vítima de feminicídio. Também em março, Sebastião Lomes da Silva, de 57 anos, morreu após sofrer uma sequência de agressões. Outro caso de grande repercussão foi o assassinato de Janaína Teixeira Fogaça, de 28 anos, morta a tiros após uma discussão.
Conflitos familiares e desfecho do semestre
Entre abril e maio, parte dos homicídios teve origem em desentendimentos entre pessoas próximas. O caso que mais chamou atenção ocorreu no bairro Santa Felicidade, onde um homem de 33 anos morreu após ser esfaqueado pelo próprio filho durante uma discussão. Outros homicídios registrados no período também tiveram como motivação conflitos interpessoais e são investigados pela Polícia Civil.
O último mês do semestre voltou a registrar crimes de grande repercussão. Vanessa Marty, de 45 anos, foi morta a tiros em um feminicídio. O principal suspeito foi preso poucas horas depois. Também em junho, José Saturnino, de 78 anos, foi encontrado morto no bairro Universitário. A principal linha de investigação aponta para latrocínio.
Geografia do crime espalhada pelo município
Ao contrário de anos anteriores, os crimes não ficaram concentrados em uma única região. O bairro Universitário registrou dois casos de grande repercussão, enquanto o Neva contabilizou o único duplo homicídio do semestre. Também houve mortes violentas nos bairros Morumbi, Riviera, Santa Felicidade, Santo Onofre, Melissa, Clarito, Brasília, Interlagos, Santo Inácio, Cascavel Velho, 14 de Novembro e na região do Alto São Salvador.
A redução de 21% nas mortes violentas em relação ao primeiro semestre do ano passado representa um avanço importante para Cascavel. No entanto, o perfil dos crimes registrados mostra que a violência continua sendo um desafio para as forças de segurança. Os quatro feminicídios registrados em apenas seis meses, o duplo homicídio no bairro Neva, os latrocínios e os crimes praticados dentro do ambiente familiar demonstram que, embora o número de ocorrências tenha diminuído, a gravidade dos casos continua elevada. A expectativa da Polícia Civil é concluir os inquéritos que ainda estão em andamento e manter os índices em queda ao longo do segundo semestre.





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