Dr. Edson
Privatização da COPEL: Produtores do Interior Amargam Prejuízos e Indenizações Não Chegam
Privatização da COPEL
Copel foi privatizada⚡ Privatização da COPEL: Produtores do Interior Amargam Prejuízos e Indenizações Não Chegam.
A privatização da Companhia Paranaense de Energia (COPEL), concretizada em 2023, continua gerando reflexos no Paraná — especialmente no interior do Estado.
A operação, conduzida durante o governo de Carlos Massa Ratinho Junior, arrecadou aproximadamente R$ 5,2 bilhões com a venda de ações na Bolsa de Valores. Com isso, o Estado deixou de ser o controlador da empresa, que passou oficialmente a operar como empresa privada, adotando o modelo de “corporation”.
Na prática, o Governo do Paraná não detém mais o comando direto da companhia.
🌾 Interior no prejuízo
Desde então, produtores rurais vêm relatando prejuízos causados por quedas de energia, oscilações e demora no restabelecimento do serviço — problemas que impactam diretamente a produção de leite, armazenamento de grãos, aviários e sistemas de irrigação.
O que mais preocupa é a dificuldade em obter indenizações pelos danos sofridos.
Relatos apontam negativa ou demora excessiva na análise dos pedidos administrativos. Pequenos e médios produtores afirmam que o custo do prejuízo acaba ficando no próprio bolso, sem ressarcimento adequado.
⚖️ E agora, quem responde?
Antes da privatização, embora a COPEL fosse sociedade de economia mista, havia uma percepção clara de que o Estado tinha responsabilidade política direta sobre a gestão.
Agora, como empresa privada, a lógica é outra.
A responsabilidade civil continua existindo — afinal, concessionária de serviço público responde por danos causados ao consumidor. Porém, o que muitos questionam é:
na prática, ficou mais difícil cobrar?
O Governo do Estado já não pode ser responsabilizado diretamente pelos prejuízos operacionais. A gestão é privada, os interesses são empresariais, e a relação com o consumidor passa a ser essencialmente contratual e regulada pela agência competente.
Para o produtor rural que perdeu produção inteira por falta de energia, essa distinção jurídica pouco consola.
💰 O dinheiro entrou… mas e o retorno?
O argumento oficial foi de que a privatização daria mais eficiência, capacidade de investimento e agilidade à empresa.
Mas no campo, a sensação relatada por muitos é outra:
menos diálogo, mais burocracia e dificuldade para obter reparação.
A venda da COPEL foi defendida como modernização administrativa. Porém, energia elétrica não é produto supérfluo — é infraestrutura essencial.
Quando o Estado abre mão do controle de um ativo estratégico, precisa garantir que o cidadão não pague a conta depois.
O governo de Ratinho Júnior sustentou que o modelo protegeria os interesses do Paraná. Entretanto, diante das reclamações no interior, cresce a pergunta: quem protege o pequeno produtor?
Também cabe lembrar que a privatização passou pela Assembleia Legislativa com votos favoráveis de deputados — inclusive representantes do Oeste do Paraná, região fortemente dependente da atividade agropecuária.
A crítica que ecoa hoje é simples:
votaram a favor da venda… mas estão acompanhando de perto os prejuízos de quem produz no campo?
Dr. Edson Tiago Dutra
Advogado e escritor.



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