MP denuncia por feminicídio militar da reserva pela morte de Vanessa Marty
Defesa afirma que principais laudos periciais ainda não foram concluídos e sustenta hipótese de suicídio
A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou réu o militar da reserva Júlio César Waltemann, acusado pela morte da escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty. Ele responderá pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
Com o recebimento da denúncia, o processo entra na fase de instrução criminal, período em que serão produzidas novas provas, ouvidas testemunhas e apresentados os argumentos da acusação e da defesa. A decisão não significa condenação, mas o entendimento de que há elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal.
Segundo o Ministério Público, os indícios reunidos durante a investigação apontam para a prática de feminicídio e para uma suposta tentativa de alteração da cena do crime, o que fundamentou a denúncia oferecida à Justiça.
Defesa questiona momento da denúncia
A defesa de Júlio César Waltemann afirma que a denúncia foi apresentada antes da conclusão das principais perícias solicitadas pela Polícia Científica, consideradas essenciais para esclarecer a dinâmica da morte.
De acordo com o advogado Armando Souza, embora diversas diligências tenham sido realizadas durante o inquérito policial, os laudos técnicos mais importantes ainda não foram concluídos.
"Recebemos a informação de que o Ministério Público ofertou denúncia contra o Sr. Júlio César por feminicídio, muito embora ainda não tenham sido finalizadas as investigações e a prova pericial solicitada pela Polícia Científica."
O advogado também afirmou que não haveria motivo para a apresentação da denúncia antes da conclusão dos exames.
"Não há motivos para uma pressa tão exagerada no oferecimento da denúncia, já que esses laudos periciais são importantíssimos e podem, pelos indícios já apontados no inquérito policial, comprovar que sim ocorreu suicídio."
Vestígios serão analisados
Ainda segundo a defesa, um dos elementos que aguarda confirmação técnica é a presença de "pontilhos de sangue" na mão de Vanessa Marty.
Na avaliação do advogado, esse vestígio pode indicar que o disparo tenha sido efetuado pela própria vítima, reforçando a tese de suicídio apresentada pela defesa.
A versão, no entanto, diverge da sustentada pelo Ministério Público, que entendeu haver elementos suficientes para denunciar o militar por feminicídio e fraude processual.
O caso seguirá agora para a fase de instrução processual, quando novas provas periciais poderão ser juntadas aos autos antes da decisão final da Justiça.






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