segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Cascavel

Desespero nas UPAs: profissionais da saúde suplicam: “onde estão os vereadores?”

01 Jun 21 - 11h33 Juliet Manfrin
Desespero nas UPAs: profissionais da saúde suplicam: “onde estão os vereadores?”

Foto: Aílton Santos

Falta de copo para tomar água, pacientes com sede, pedindo socorro com falta de ar – acometidos pela covid-19 – implorando para não morrer, banheiro estragado na enfermaria exigindo que hospitalizados caminhassem até a recepção com cilindros de oxigênio de 50 litros para ir ao banheiro, necessidade de cortar frascos de soro para usar como papagaio – para internados urinarem, poucos funcionários para internar paciente, fazer procedimentos e preparar leitos, um internamento atrás do outro, pacientes hipossaturando precisando de oxigênio - idosos, jovens, crianças – de todas as idades, falta de local para internações exigindo que os pacientes fossem acomodados nas cadeiras de injetáveis como leito, central de materiais sem utensílios limpos ou desabastecida e um relato desesperador: “a gente parava as vezes para pensar se isso estava mesmo acontecendo”. 

“Todos pedindo socorro, nisso vinha o Samu levava um para o Retaguarda [Hospital] outro que estava ainda pior seguia para o Huop, só que a gente mal arrumava o leito e já tinha outro paciente esperando [na UPA] para entrar. Um caos. Está precisando muito de funcionário, está uma vergonha”, esses são alguns dos relatos feitos por profissionais da saúde em Cascavel, divulgados em grupos de trocas de mensagens nos últimos dias. Sua veracidade foi confirmada pela Portal24. 

A situação crítica vem sendo registrada nas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento), onde se tornou a porta de entrada para pacientes com sintomas ou confirmados para a covid-19, principalmente pacientes em estado mais grave. O caos tem se potencializado com o aumento da procura pelos atendimentos. Vale destacar que a sobrecarga também no sistema privado de saúde tem feito desembocar, no sistema público, esse aumento de demanda.

Os apelos desesperados de profissionais vão além. Os profissionais querem saber “onde estão os vereadores de Cascavel?” diante do caos imposto.

Os servidores também querem entender, dos parlamentares, sobre a retirada de assinaturas de parte deles no projeto que previa a criação de uma Frente Parlamentar que atende demandas do funcionalismo público, que visava debater, entre outros temas, o plano de cargos e carreiras destes trabalhadores. Na segunda-feira (31), houve muita discussão e ânimos aflorados na sessão da Câmara ao se abordar o assunto. O vereador Edson Souza (MDB) – propositor da frente – abordou a retirada de assinaturas de apoio à criação, que segundo ele teria sido coordenada pelo líder de governo na Câmara sem o seu conhecimento, o vereador Pedro Sampaio (PSC). Sampaio negou que houvesse um movimento para esvaziamento da proposta.


Debate no legislativo e colapso nas UPAs

Ocorre que enquanto os vereadores debatiam o tema de forma acalorada no legislativo, as UPAs seguiam lotadas, profissionais sobrecarregados, exaustos e uma demanda que não parava nem para de crescer. Na outra ponta pacientes seguem relatando a demora de mais de 12 horas para o atendimento e nenhuma triagem entre sintomáticos e não sintomáticos à covid no momento da espera.

Seguindo nessa toada, outros relatos de profissionais da saúde seguiando ganhando repercussão: “esses vereadores precisariam se juntar a nós, quanto tempo nessa pandemia assim, sem dar atenção para a gente? Elogiar, bater palminha, não é isso que queremos, queremos reconhecimento de verdade, material e suporte para trabalhar, queremos ser reconhecidos, mais gente para trabalhar. Cancelaram nossas férias, não podemos pegar folga. Não tem como trabalhar estressado desse jeito”.

Outro relato vai além. “Tem como resolver, tem um monte de funcionário esperando ser chamado no concurso, a gente não teve aumento de salário, então que se chame funcionários. As UPAs estão lotadas, funcionários estão doentes, cansados estressados, não tem mais vaga...”, completa outro profissional.


O desespero em números

“Não existe como atender 23 pacientes no oxigênio pedindo para não deixarmos eles morrer, vários funcionários [da saúde municipal] estão na mesma situação. Temos ouvido de vereadores que se não cabe à Comissão de Saúde, não interessa [a ele], quero que os vereadores entendam, se você ou o prefeito precisar, se cair lá, vão encontrar funcionários que não aguentam mais, estão estressados, cansados, são 11 intubados para 2 funcionários. Não tem como duas técnicas, um médico e um enfermeiro pronarem um paciente de mais de 100 quilos. Vocês sabem o que é pronar um paciente? Pesquisem. Vocês deveriam acordar, tomem providência, a gente não vai esquecer disso. A gente vai apoiar quem está do nosso lado”, segue outro desabafo profissional.

As mensagens não param por ai: “Está muito triste a situação. Tem vereador sabendo disso e dizem que não podem fazer nada”, considerou.

“(...) eu estava no plantão vi tudo isso... Vi paciente convulsionada numa maca sem acompanhante porque não pode e em 4 funcionários com 11 pacientes cada uma e não conseguiram ver essa paciente lá do final do corredor... O tempo todo pacientes murmurando se queixando de dor... Falta de ar... Outros reclamando que ninguém faz nada... Meu Deus, foi um caos... Na verdade as últimas 3 noites que estive de plantão foram assim”, completa outra denúncia.

“Misturaram todos os coronado com quem não era e agora virou nisso”, cita outra mensagem. 


O Município e a Câmara 

A Secretaria de Saúde de Cascavel foi procurada, mas até o momento não se posicionou sobre o assunto.

Na Câmara Municipal de Vereadores a informação foi de que a Comissão de Saúde está tratando do assunto referente às UPAs, mas que com o vereador Cidão em isolamento, ainda não houve agendamento de uma visita às unidades. Questionada se a Comissão fará uma visita às Unidades diante do caos relatado, a informação é de que a demanda será tratada ainda hoje.

O assunto também foi encaminhado à presidência da Casa, mas até o momento não houve manifestação pública de quais medidas podem ser adotadas pelo Legislativo, como um todo, sobre o tema.

Reportagem: Juliet Manfrin


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