Pai diz que jogadores mexicanos vão à justiça contra dirigentes do Cascavel CR

O que era para ser a realização de um sonho, jogar em uma equipe da primeira divisão do campeonato paranaense de futebol, terminou com um pesadelo para 3 jovens mexicanos. Eles desembarcaram em Cascavel em dezembro de 2019 para jogar no Cascavel CR (Clube Recreativo), alugaram um apartamento por 6 meses, custearam as despesas, mas na semana passada, ou seja, duas semanas após a chegada, tiveram que voltar para casa carregando nas malas a frustração de não ter entrado em campo.

A promessa, segundo Eloy Small Flowers, pai do jogador Dan Esau Small Sauceda de 22 anos, nunca foi cumprida e não passou de “uma fraude”.  Ele é de Monterrey, Nuevo Leon, México e é ex-jogador do clube Tigres da liga mx.

O pai reforça que o filho atleta e os outros pais se preparam para ingressar com uma ação na justiça mexicana, contra os dirigentes do clube envolvidos na transação. “Só queremos alertar sobre o que está acontecendo e que não sigam enganando mais garotos com a promessa de que vão jogar em uma equipe da primeira divisão, isso é completamente falso, estão enganando, pessoas estão pagando, não dão comprovantes, então que isso sirva para não seguirem enganando mais gente, meu filho está completamente derrotado e precisa esperar mais 6 meses para procurar uma nova equipe aqui no México”, reforçou.

Como tudo aconteceu
Eloy conta que tudo começou com o contato de pessoas que se apresentavam como dirigentes do Cascavel CR lá no México. “Roberto Chavez, veoo ao México, ele é cidadão mexicano e se apresentava como diretor técnico da Cascavel CR. Ele quem chegou até nós”.
Além dele, as negociações teriam sido acompanhadas, de longe, por Tony Di Almeida, que é brasileiro.

Os 3 são jogadores profissionais com passagens por equipes importantes do futebol mexicano, por isso, ir para um time da primeira divisão parecia algo próximo da realidade de todos.

Promessas
A promessa aos atletas era de que teriam direito a vagas no time principal, mas para isso pagaram US$ 5 mil cada [cerca de R$ 21 mil], diluídos em duas parcelas de US$ 2,5 mil cada para assegurar a colocação da equipe principal. Ocorre que o pagamento mensal, segundo Eloy, deveria ser mantido pelos meses seguintes.

Eloy reforça que Tony chegou a enviar um pré-contrato para que os jogadores pudessem viajar, mas que não serviu para nada. Ainda de acordo com Eloy, em momento algum foram entregues comprovantes dos pagamentos efetuados aos dirigentes do CCR, uma vez que todos foram em dinheiro vivo. “Eles chegaram a Cascavel há dois domingos e os ignoraram, o Almeida [Tony] se escondeu e Roberto Chavez mentiu para eles todos os dias”, reforçou.

Os jogadores não foram registrados, não entraram em campo e não treinaram com a equipe principal. “Roberto Chavez não é o treinador da primeira divisão. Eles  treinaram sozinhos, mas o acordo era que eles treinariam e jogariam na primeira divisão. Isso jamais aconteceu”, seguiu.

No pré-contrato, estava pressuposto, segundo o pai, que ao chegar a Cascavel, o contrato oficial seria então firmado, o que também não ocorreu.
Em um primeiro contato que o Portal24 teve com Eloy, ele afirmou que jogadores e familiares estavam empenhados em localizar o proprietário do clube. “Acho que ele não conhece os golpes que Tony Almeida e Roberto Chavez estão fazendo”. Em uma segunda conversa com Eloy, ele disse que acabara de receber a informação de que Tony seria um dos proprietários do clube.

“Garotos pagam US$ 2,5 mil/mês só para treinar”
Os jogadores que regressaram ao México não são os únicos mexicanos em Cascavel. “Há ainda em Cascavel de 4 a 5 crianças mexicanas treinando e que também estão pagando para treinar, só para treinar, desde novembro. A promessa de que jogarão na primeira divisão um dia, isso é mentira, eles dizem que primeiro vão treinar e que um dia estrearão na primeira divisão, ou seja, eles pagam para treinar. Os pais desses meninos também estão preocupados”, considerou já que para mantê-los aqui, a maioria conta com doações em seu país natal. “Todos pagam US$ 2,5 mil por mês para treinar. São garotos que têm de 13 a 17 anos. Alguns contam com a boa vontade de mexicanos do bem para ajudá-los a se manter aí”, reforçou.

Eloy vai além, disse ainda ter procurado Nivaldo Missio, que é supervisor, mas que esse afirmou não saber da situação nem dos encaminhamentos envolvendo os atletas mexicanos. “O Cascavel CR pode alegar que eles foram embora, não tiveram paciência para esperar, mas foi um golpe e os 3 jogadores voltaram para o México porque foram ignorados no Brasil, nunca foram para a equipe principal, foram enganados”, destacou.

O Cascavel CR
Tony Di Almeida disse à reportagem que não sabia do que se tratava o assunto e que as permissões para os 3 jogadores  atuarem não saíram há tempo para que iniciassem suas atuações por aqui, pelo Cascavel CR. “Se voltaram [para casa] essa historia me é nova. Tenho visto  alguma coisa nos grupos [redes sociais], mas  na verdade não sei de  nada”, destacou.

Tony afirmou que Roberto Chavez de fato era o responsável pelos mexicanos. A reportagem tentou contato por meio da assessoria de imprensa da equipe, mas não obteve retorno.
Tony completou que não houve problemas envolvendo os jogares que tenham sido originados do clube e considerou: “os jogadores têm empresário e contrataram uma advogada em Brasília para acelerar o processo das permissões de trabalho, mas elas não saíram [há tempo para jogar]. Se existe alguma coisa errada é entre os mexicanos, não entendo nada disso”, completou.

Via: Redação/Juliet Manfrin - Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

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