Com quase 90% de valorização do dólar, dívida com o BID cresce R$ 52 milhões

Onze anos após o empréstimo com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) começar a ser articulado pela administração do então prefeito de Cascavel Edgar Bueno, há dois anos chegou a hora de pagar a conta. Os valores entraram nos caixas do Município em 2013 com cinco anos de carência para o início dos pagamentos que na época previam até 25 anos para quitação, agora são 23. Isso porque as duas primeiras parcelas já foram pagas somando US$ 3.624.103,72.

Em reais, esses valores somaram R$ 13.6016.785,68. Do valor total emprestado, US$ 28,7 milhões, que na época foram assinados com um dólar cotado na casa dos R$ 2,23, foram amortizados da dívida U$ 1.321.826,88. Vale destacar que um valor idêntico ao tomado emprestado foi desembolsado como contrapartida pelo Município. Considerando o dólar do dia em que as parcelas com o BID foram pagas, com base nos US$ 27,8 milhões, em reais a amortização foi de R$ 5.281.699,82. Os juros, por sua vez, tiveram somaram mais do que as parcelas propriamente ditas que deduzem do total da dívida.

Foram US$ 1.929.536,59 em juros. Em reais eles somaram R$ 7.106.454,61. A conta do que já foi paga considera ainda US$ 372.740,25 à chamada comissão de crédito, que corresponde, segundo a Secretaria Municipal de Planejamento de Cascavel, à taxa paga sobre recurso não desembolsado do programa. Isso significa que o recurso do financiamento não foi desembolsado uma única vez.  “O Município solicitava o montante necessário conforme planejamento financeiro para cobrir os pagamentos necessários das obras e ações em execução do programa. Os juros foram pagos sobre o valor do recurso desembolsado e a comissão de crédito sobre o valor não desembolsado. Quando o Município desembolsou todo o recurso não pagou mais a comissão de crédito”, explicou. Assim, em reais, essa comissão de crédito já custou aos cascavelenses R$ 1.229.231,25.

Ocorre que, considerando 87% de valorização na cotação do dólar desde a assinatura do contrato até agora (de R$ 2,32 para R$ 4,32), a dívida que iniciou, em reais, na casa dos R$ 67 milhões, hoje custaria mais de R$ 120 milhões, acréscimo de R$ 53,7 milhões. Com base naquilo que ainda está por ser amortizado, US$ 27.428.173,12, os cascavelenses devem hoje ao BID, se for levado em conta o dólar atual e sem a caracterização dos juros que são de 1,2% ao ano, R$ 118 milhões, ou seja, R$ 52 milhões a mais do que no momento de assinatura do contrato, ainda na administração passada.
Vale destacar que os valores para o pagamento levam em conta o dólar nas cotações do dia, podendo haver variação para cima ou para baixo e isso quem vai revelar é o comportamento do mercado nos próximos 23 anos.

Porque o dinheiro foi emprestado?
Se você não lembra de toda a tramitação do contrato com o BID, o Portal24 vai relembrar o caso.
As tratativas iniciaram há 11 anos, quando o então prefeito Edgar Bueno iniciou uma série de contatos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento para empréstimo de recursos. Em dezembro de 2010 representantes das Secretarias de Assistência Social, Educação, Saúde, Meio Ambiente, Finanças, Assuntos Jurídicos, Planejamento e Urbanismo, Serviços e Obras Públicas e Cettrans passaram a tratar da formatação do projeto com foco na mobilidade urbana e qualidade de vida. Quase um ano depois, em novembro de 2011, Houve a primeira missão chamada de pré-Identificação quando se definiu os componentes do programa, assim como os estudos preparatórios para o dimensionamento e estabelecimento de viabilidade ou elegibilidade das intervenções dos distintos programas para transporte e Sistema Viário;

Melhoria do Meio Ambiente e área Social e fortalecimento Institucional.
A principal obra foi a reestruturação da avenida Brasil. Entre as principais mudanças ali estiveram as readequações da via e o retorno do transporte coletivo naquela via, com canaleta exclusiva, condição polêmica e que rendeu muito debate. A gestão de Edgar chegava ao fim, mas as obras do PDI não. Coube então a Leonlado Paranhos conduzir o andamento dos trabalhos. Paranhos chegou a reforçar que não achava a melhor alternativa voltar com o transporte coletivo pela principal avenida da cidade, mas precisou manter o que definia o projeto. Em regra, as obras com recursos do BID foram concluídas em 2019. A conta continua sendo paga com o BID até 2043.

Via: RedaçãoJuliet Manfrin- Foto: Aílton Santos/P24

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