Paratletismo: Além de Inclusivo é essencial para a saúde

“O esporte como recuperação foi tudo, um ponto chave para eu conseguir vencer as diversas barreiras que eu tive pela frente.” Felipe Pavan

Cintya Oliveira, sofreu um acidente de ônibus com oito anos de idade. Devido a gravidade da lesão, precisou amputar o braço esquerdo, mas apesar de todas as dificuldades sofridas após o incidente, ela não se deixou desanimar.

Aos 11 anos, ela foi apresentada ao parabadminton.“Eu conheci o esporte por meio de um professor de Toledo, que já trabalhava com isso. Ele tinha um projeto na Unipar que era para os deficientes físicos. Haviam vários esportes além do parabadminton, mas foi por ele que eu me apaixonei”.
Sete anos após ter começado a prática do esporte, Cintya já é figura entre as melhores paratletas de 18 anos. Atualmente ela se encontra na quinta posição no ranking mundial, com grandes chances de participar das Paraolimpíadas de Tóquio em 2020. “O meu sonho sempre foi participar das paraolimpíadas, mas a ficha ainda não caiu. Estar entre as melhores e ter uma chance de representar o Brasil em um evento dessa magnitude é algo inimaginável”.

Apesar de todos os problemas estruturais enfrentados pelo Brasil, o investimento para a fomentação dos esportes e o desenvolvimento dos atletas tem sido considerável. O Programa Bolsa Atleta foi a maneira que o país encontrou para ajudar o progresso tanto de atletas, quanto de paratletas. O benefício é separado em categorias para dividir os investimentos, quanto mais o atleta se destaca, mais dinheiro ele recebe. Segundo o Ministério do Esporte, a iniciativa conta atualmente com seis categorias de bolsa: Atleta de Base e estudantil (R$ 370); Nacional (R$ 925); Internacional (R$ 1.850); Olímpica/Paralímpica (R$ 3.100) e Pódio (R$ 5 mil a R$ 15 mil), que contempla atletas que estão entre os 20 primeiros do ranking mundial de sua modalidade ou prova específica.

No ano de 2019, após Jair Bolsonaro ter assumido a presidência, a iniciativa recebeu um acréscimo de R$70 milhões de reais. Para esse ano, a previsão do Governo Federal é que o investimento chegue aos R$140 milhões.

Além disso, o Brasil se orgulha em afirmar que o Bolsa Atleta é o maior programa esportivo no mundo inteiro. Segundo o Ministério do Esporte, atualmente, o incentivo auxilia 6.472 atletas olímpicos e paralímpicos.

O investimento vem dando certo, nas Paraolimpíadas de 2016 o Brasil ganhou 72 medalhas e desses pódios todos os ganhadores eram bolsistas. E não foi apenas no Rio de Janeiro que os brasileiros tiveram bons resultados. No mundial de 2018 foram mais 19 medalhas para os paratletas que estavam representando o país.

É de conhecimento geral que o Brasil é famoso por todos os estereótipos que lhes foram impostos, seja pela alegria do seu povo, o samba, as belezas naturais e principalmente o futebol. São tantas conquistas em um dos esportes mais importantes e mais conhecidos ao redor do mundo, que faz com que o país seja conhecido como País do Futebol.

Porém, algo que não é de conhecimento geral, é que não é apenas em um esporte que os brasileiros se dão bem. Os paratletas não ficam para trás nas competições internacionais, com números honrosos eles representam uma grande força em ascensão.

Cintya é um exemplo de como o Bolsa Atleta tem sido eficaz, a paratleta comenta sobre como o incentivo tem a ajudado na caminhada rumo a Tóquio “é um benefício muito válido, porque muitos atletas não conseguem receber patrocínio nenhum, até por ser um esporte relativamente novo no Brasil. Para aqueles que conseguem chegar no nível para receber o auxílio é excelente, falo por mim mesma, porque penso que seria muito difícil ter chegado ao nível que eu estou e almejar as paraolimpíadas se não fosse pelo meu esforço e também pelo auxílio do governo”.

A NECESSIDADE DO ESPORTE PARA OS DEFICIENTES FÍSICOS

O investimento tem conseguido inserir pessoas com deficiência a ambientes que provavelmente lhes eram inimagináveis. O problema do programa é que ele contempla apenas os paratletas de alto rendimento e não inclui aqueles que não estão no mesmo nível.

Além da ajuda esportiva, o Programa Bolsa Atleta ajuda no incentivo para que os deficientes físicos continuem a prática de esportes, auxiliando até mesmo em uma melhor qualidade de vida. A prática de atividades físicas é essencial para pessoas sem nenhum tipo de impedimento e a sua atividade se torna ainda mais fundamental para quem tem alguma deficiência física.

O paratleta Felipe Pavan, de 26 anos, não se encontra em nível Paralímpico, mas disputa competições em todo o Brasil. “O esporte como recuperação foi tudo. Um ponto chave para eu conseguir vencer as diversas barreiras que enfrentei. Me mostrou o caminho que eu deveria seguir, ajudou muito meu psicológico, minha autoestima, me mostrou que não fui o único e que posso seguir mesmo sem uma perna” afirmou o paratleta.

Pavan conta que a maior dificuldade após a perda da perna esquerda foi se reinserir na sociedade, “por ser um trauma muito grande e deixar uma sequela visível. As pessoas não têm um bom senso para agir naturalmente e tratar da situação como qualquer outra”.

Porém o paratleta afirma também que a pessoa quando passa por um trauma assim, não deve buscar a aceitação de terceiros, mas entender a nova realidade. “Quando começar esse processo de aceitação, ela vai conseguir superar todas as barreiras que serão postas. Independente da forma que a pessoa encontra para se reinventar, seja no esporte, trabalho ou curso ela vai conseguir ser feliz”.

Via: Redação/Assessoria Unifatos/Vinícius Carpes - Foto: Divulgação 

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