Ação de encadeamento produtivo oportuniza conhecimento a produtores do Cantuquiriguaçu, no oeste do Paraná

Empresários rurais de pequenas propriedades do oeste do Paraná percorreram durante cerca de 18 horas quase de 1,4 mil quilômetros para aprender. O grupo integra o projeto Encadeamento Produtivo, uma metodologia que capacita pequenos negócios por meio da aliança com grandes e médias empresas. No Cantuquiriguaçu, a proposta é desenvolvida junto a Cooperativa Coprossel, de produtores de sementes e grãos do território.

No total, 100 produtores cooperados fazem parte do projeto que, além de receberem capacitações e acompanhamento em gestão, têm a oportunidade de participar de ações especiais, como missões técnicas a exemplo da viagem a Rosário, na Argentina, realizada no mês passado. “A ideia central do projeto é que médias e grandes empresas possam subsidiar a qualificação das pequenas que fazem parte de suas redes de fornecedores”, explica o consultor do Sebrae/PR, Edson Braga da Silva.

O entendimento, reforça o consultor, é que quando a micro e pequena empresa se fortalece, tem capacidade para fornecer mais e melhor para as médias e grandes além de ganhar em competitividade. “O projeto tem duração de dois anos e deve ser finalizado em dezembro deste ano. Com as atividades promovidas, os produtores rurais passam a se enxergar como empresas, profissionalizam e organizam melhor a gestão da atividade como um negócio lucrativo, uma empresa do campo”, sinaliza.

Na avaliação do diretor-presidente da Coprossel, Paulo Pinto de Oliveira Filho, a mudança nas propriedades desde o início do projeto é de ser percebida. “A questão da maior profissionalização deles pode-se enxergar de olhos vistos, já mudaram muito a maneira de trabalhar. Hoje, apenas 100 dos 850 produtores cooperados participam, mas há a intenção de abrir para outras adesões mais para frente. Isso fortalece a própria cooperativa”, analisa.

A missão à Argentina teve como objetivo atuar em um dos focos de desenvolvimento aos produtores esperados pela Coprossel e Sebrae/PR. “Temos, dentre os objetivos do projeto, a ação de ‘mercado’, que é descrita como orientação estratégica e participação em eventos para a identificação de novas tecnologias, oportunidades de negócios, monitoramento de tendências e captação de informações voltadas à construção de inteligência comercial”, detalha Edson Braga da Silva.

Neste sentido, a programação da missão a Rosário teve como itinerário três visitas técnicas. Os produtores iniciaram na Bolsa de Comércio de Rosário na qual puderam entender, entre outras, o funcionamento do Mercado Físico de Grãos da Bolsa de Valores, o mais importante da Argentina em volume de operações. Também conheceram a Estação Experimental Agrícola Oliveros, no Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (Inta), e, ainda, a Sancor Cooperativa de Seguros.

Leandro Kühl, diretor-administrativo do Sicoob Credicapital e parceiro do Encadeamento Produtivo na Coprossel, também é produtor rural e participou da missão na Argentina. “Visitas técnicas nos abrem a percepção de negócio mesmo diante de realidades extremamente distintas. Foram percebidas diferenças tanto na forma de trabalho, econômicas, maneira de negociação e conhecimento técnico. Além de que foi possível identificar a força que tem o associativismo”, salienta.

Impressões
Angela Granemann é produtora de gado de corte em Laranjeiras do Sul e compra insumos em conjunto com a Coprossel há cinco anos. “Como produtores, estamos sempre em busca de conhecimento, mas, este, que tivemos na Argentina, foi diferenciado: conseguimos analisar a realidade de dois países, uma oportunidade de ver ‘de fora’ o que fazemos aqui, comparar práticas, abrir a visão. Saímos desta missão pedindo mais”, comenta.

Para o produtor de Porto Barreiro Jeovani Joaquim, o aprendizado na missão já trouxe resultados práticos. “Depois de conhecermos a diferente dinâmica de comercialização dos produtores na Argentina, melhorei meu processo de mercado já na venda da soja. Lá, percebi que o produtor tem mais poder de negociação, pois entende da dinâmica de preços. Isso também foi possível pois nossa gestão está mais organizada”, destaca.

O conhecimento das diferenças culturais, econômicas, tecnológicas e até mesmo de clima e topografia, foram sinalizados como importantes pelo produtor de Porto Barreiro Cicero Jean Machado dos Santos. “Fiquei surpreso com as diferenças, mas também com as semelhanças, a exemplo da falta de políticas agrícolas que os produtores de lá têm. Aprendemos a cada lugar que passamos e reforçamos, ainda mais, a importância de trabalhar em grupo, cooperados”, observa.

Lírio Antônio Parisotto, produtor de sementes em Laranjeiras do Sul também pretende praticar o conhecimento que teve na Argentina como melhoria dos negócios. “O início do plantio acontece agora em setembro. Vamos poder perceber mudanças a partir daí no que diz respeito a comercialização. O que mais me chamou a atenção, por exemplo, foi a dificuldade que eles têm de capitalização, onde, aqui, o acesso ao crédito rural é mais fácil que lá”, acrescenta.

Realidades
Nas visitas técnicas, os produtores puderam conhecer as maneiras de comercialização dos produtos do meio rural na Argentina. “Tivemos a visão de como o produtor se comporta com o mercado agro. Enquanto no Brasil se tem taxas até atrativas para capital de giro, na Argentina, como não tem. Os produtores buscam outras formas de financiar a lavoura e são eles mesmos que estocam, diferentemente daqui, onde estocam, em sua maioria, nas cooperativas”, afirma Leandro Kühl.

Outra grande diferença, apontada pelos participantes da missão, foi quanto ao solo argentino. “O clima e topografia são bem diferentes, ao menos na região de Rosário na qual estivemos. O solo é, pelo menos, cinco vezes melhor que os melhores daqui do Brasil, o que rende maior qualidade e produtividade lá sem o mesmo esforço que se faz aqui no Brasil, tanto que no trigo deles dá um ‘show’”, enfatiza Cicero Jean Machado dos Santos.

“Estamos felizes com os feedbacks dos produtores, é a cooperativa oportunizando aprendizado para melhorar o todo. Saber formar o preço, por exemplo, serve para melhorar a tomada de decisão da comercialização, diluir riscos com a diversificação da venda, segurar o preço entre outras práticas aprendidas. Já a difusão de tecnologia os permite saber onde estão e no que podem melhorar”, ressalta Paulo Pinto de Oliveira Filho, diretor-presidente da Coprossel.

Via: Redação/Sebrae/PR - Foto: Divulgação

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